Lauro de Freitas - Bahia - Brasil

Dois Amores

Por: José Julião de Paula

Ah! Se eu fosse poeta,
Me atreveria a escrever
Uma linda história de amor
Que eu já vi acontecer
Entre duas almas puras
Que se pode conhecer!

Se um dia alguém me dissesse
Que é possível haver,
E que em coração diferente
Um grande amor pode ter,
Eu diria ser engano,
E que pagaria pra ver!

Mas, neste mundo de Deus,
Tudo pode acontecer!
E o que agora relato
Não é comum de se ver!
Tamanha fidelidade,
Que me faz retroceder!

Não faz assim muito tempo,
Que uma família existia;
Com quatro lindas crianças,
Modelos de simpatia,
Mas uma se destacava:
Esta era a primeira filha!

De uma educação natural,
E inteligência sem par,
Impressionava qualquer um
Que a ousasse desafiar!
Sem nunca subir no salto,
Muito menos se orgulhar!

Esta criança que falo,
Tinha, em particular,
Um amor puro como o dos anjos,
Com quem vivia a brincar!
Com tanta fidelidade
Pra qualquer humano invejar!

Tinha uma cadelinha
Da família vira-lata,
Não tinha sangue de nobre,
Muito menos aristocrata;
Amazona era o nome
Desta amiguinha pacata!

Para ir na casa da avó,
Tinha que atravessar
Um trecho escuro da estrada,
Mal afamado lugar;
Diziam que a alma do Mané Luiz
Vinha ali pra descansar!

A cadelinha Amazona
Parece que adivinhava
Que a menina tinha medo,
E sempre a acompanhava!
Enquanto ela não passasse,
Amazona não voltava!

O amor que as envolvia,
Como a um anel em dois dedos,
Só mesmo um puro amor,
Pra formar um puro enredo!
Se Amazona estava perto,
Não tinha lugar pra medo!

Mas o mundo é mesmo ingrato,
Eu cresci ouvindo isto:
“Quem ama não tem valor;
Foi assim com Jesus Cristo!”
E pra Amazona não foi
Diferente neste quesito!

Nunca ninguém tinha visto
Amazona com namorado;
Parecia até que ela não
Valorizava esse lado!
Mas, adiante da sorte,
Um passo nunca foi dado!

E o seu destino cruel
Tinha de ser cumprido;
Amazona não percebeu
Em que laço tinha caído.
Expondo o coraçãozinho
Às flechadas do Cupido!

Ela pensou que esse amor
A tornaria mais forte;
Na inocência não notou
Que brincara com a sorte!
E que, sem saber, assinara
Sua sentença de morte!

Por causa do mal da raiva,
Infestando a região,
Os donos da cadelinha
Tomaram uma decisão:
Eliminar Amazona
Durante a gestação!

E, numa certa manhã,
Amazona alguém procurou;
Amarrada a uma corda,
Seu carrasco a acompanhou;
E esta inocente criatura
Nunca mais ali voltou!

Ninguém nunca comentou
O fato que aconteceu;
Mas, com o passar do tempo,
A menina percebeu
Que jamais veria Amazona,
Pois Amazona morreu!

E peço a Jesus o perdão
Pelo que vou falar:
Meditando sobre os dois,
Sem dúvida se pode afirmar
Que o único pecado dos dois
Foi viverem para amar!

E a amiga da Amazona?
O que dela foi feito?
Ah!… Enfrentou de cara a vida!
Matando a bola no peito,
Hoje é uma magistrada,
De cargo, fama e respeito!

“Meus respeitos, Meritíssima!”
Tratamento este estendido
Ao Doutor Luiz Antônio,
Seu digníssimo marido,
Dois corações de anjo,
Com títulos bem merecidos!
Se este caso fosse hoje,
Não teria acontecido!

Termina assim uma história
De dois enlaces que eu
Na vida presenciei;
Quem viu jamais esqueceu
A grandeza de um amor
Que este mundo conheceu!

Aos meus sobrinhos dedico
Os versos que agora faço,
De um pedacinho da história
Que une mais nossos laços.
Aos doutores, meus respeitos!
Aos meus sobrinhos, um abraço!

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